Carta Aberta

Primeiro, quero agradecer a Deus pelo dom da minha vida, por cada oportunidade que surgiu no tempo certo e por ter me preparado para elas. Cada queda ou negativa que recebi, e que definitivamente me frustraram muito, me forjaram com a determinação e o preparo necessários para este momento. Sou grato aos meus pais e ao meu irmão por todo apoio, que muitas vezes foi silencioso e diário: entre noites em claro, palavras de incentivo, orações, conselhos ou puxões de orelha dizendo que eu estava fazendo besteira. Cada ensinamento ajudou a formar quem eu sou hoje.

Também quero agradecer a todos os professores, mentores, familiares e amigos que acreditaram em mim e sempre me incentivaram. Cada um de vocês tem minha eterna gratidão e fez muita diferença. Em especial, agradeço ao projeto social ETHOS, que cruzou meu caminho em um dos momentos mais críticos da minha vida, trazendo esperança e vontade de estudar novamente. Ele me ofereceu muito mais que oportunidade, me trouxe mudança de realidade e de perspectiva.

Cada pessoa que apostou em mim, sonhou comigo, ofereceu uma indicação, compartilhou um edital ou simplesmente perguntou “como posso te ajudar?” faz parte do que hoje chamo de #SamucaSemFronteiras.

Minha jornada

Das olimpíadas científicas aos primeiros projetos em tecnologia

Desde pequeno, tive a oportunidade de estudar com bolsa em colégio particular, e com isso veio também a responsabilidade de manter boas notas. Graças a Deus, sempre tive facilidade nos estudos e gostava muito de aprender, principalmente matemática. Achava fascinante como os números se encaixavam, quase como mágica, e o mais legal era entender como essa mágica funcionava. Houve épocas em que eu estudava nas férias só para aprender algo novo (claro que não no mesmo ritmo das aulas, também farreava na rua como qualquer criança). De todo modo, eu sabia que a melhor forma de retribuir o esforço dos meus pais era tirando boas notas e buscando sempre ser melhor.

Ainda no 6º ano, entre cadernos, simulados e fórmulas, descobri as olimpíadas científicas. Participei da OBM (Olimpíada Brasileira de Matemática), da OBA (Olimpíada Brasileira de Astronomia) e da OBAFOG (Olimpíada Brasileira de Foguetes). Nessa época eu procurava os professores após a aula só para fazer “mais uma aula” e me preparar melhor. Lembro que, quando não passei pela primeira vez, chorei muito. Apesar disso, fui medalhista duas vezes na OBA em edições futuras, e, junto com as medalhas, nasceu a ideia de que um dia eu poderia estudar fora do país. Muitas dessas olimpíadas têm fases internacionais, e eu sonhava em um dia representar o Brasil. (Infelizmente não foi possível, mas seria muito legal).

Samuel em atividades escolares e olimpíadas científicas
Início da jornada, ainda no colégio e nas olimpíadas científicas.

No ensino médio, vivi um dos momentos mais difíceis da minha vida, tudo parecia desmoronar, tanto na vida pessoal quanto nos estudos. Eu simplesmente não tinha vontade de estudar. Foi nesse momento que o projeto ETHOS apareceu na minha vida através de um verdadeiro anjo — alguém que enxergou potencial em mim antes mesmo de eu acreditar. Através deles, pude estudar em um excelente colégio voltado para vestibulares, o que fez enorme diferença, principalmente durante a pandemia. Também continuei meus estudos de inglês graças a essa oportunidade, de tal modo que ao final do curso realizei o TOEFL, um exame de proeficiência em inglês para o meio acadêmico.

Foto do projeto social ETHOS
Projeto ETHOS, que transformou minha relação com os estudos.

Graças a Deus, nunca precisei ajudar financeiramente em casa (meus pais nunca permitiram também, sempre falavam que eu deveria estudar mais, pois estudando eu poderia ter um futuro melhor), mas desde cedo aprendi que dinheiro não nasce em árvore e que é preciso trabalhar por ele. Minha mãe sempre foi muito sábia na gestão financeira e meu pai sempre trabalhando, muitas das vezes em mais de um emprego, acabei aprendendo com eles a sabedoria e o esforço. Quando havia algum passeio do colégio, eu queria ajudar de alguma forma.

A primeira vez que vendi bolo no pote foi com meu irmão para conseguirmos pagar a viagem de formatura. Fazíamos tudo em casa e saíamos para vender. Aos poucos fui tomando gosto: dei aulas particulares, dei aulas de inglês em um curso, e a cada dia buscava aprender e evoluir. Essa escola de inglês foi meu primeiro emprego inclusive, e nela aprendi muito, não só o idioma na prática, mas também responsabilidade de cumprir com horários.

Com o tempo, fui me aproximando da área financeira e de investimentos, especialmente durante a pandemia, tentando entender melhor como cuidar dos recursos que eu recebia dando aulas. Pagava minha academia, guardava um pouco, comprava meus próprios itens. Passei a estudar cada vez mais através dos vídeos do Grupo Primo até que, em 2025, conquistei minha certificação de consultor financeiro: a Certificação CEA.

Na UFRJ, tive a oportunidade de integrar um projeto de extensão voltado para o Prontuário Eletrônico Unificado da Faculdade de Odontologia, buscando facilitar a vida real de pacientes e profissionais.

No 3º período, fui selecionado para uma vaga de Iniciação Científica no INMETRO, sob orientação da Prof.ª Dr.ª Joyce Rodrigues. Passei a atuar como desenvolvedor full-stack em um projeto para o Fórum Grafeno, dentro do laboratório LAFES. Ali, a tecnologia deixou de ser apenas código e passou a se conectar com indústria, pesquisa e inovação de ponta. O objetivo era criar uma plataforma que conectasse todo o ecossistema de grafeno em um único lugar.

Campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro
UFRJ: ponto de virada na minha trajetória acadêmica.
Laboratórios do INMETRO onde Samuel trabalhou como pesquisador
INMETRO: pesquisa aplicada, tecnologia e inovação.

A partir desse trabalho, apresentei pôsteres em eventos nacionais e, mais recentemente, no evento internacional SBPMat. Cada apresentação era um lembrete de como uma trajetória que começou em olimpíadas e projetos sociais agora alcançava um espaço acadêmico e científico que eu jamais imaginaria no início, principalmente considerando que, no ensino médio, eu acreditava que seria militar. Deus foi me conduzindo para caminhos muito melhores.

O que vem pela frente

Por que esse intercâmbio importa (e muito)

Os próximos passos dessa jornada surgiram de modo totalmente inesperado. Desde o início da faculdade, eu procurava intercâmbios — especialmente na França, pois um dos meus sonhos pessoais é conhecer a Torre Eiffel. Porém, o idioma sempre foi um grande obstáculo, e nas oportunidades em que isso não era problema, por algum motivo eu não conseguia ser selecionado.

Sem esperar nada, no início de outubro recebi um e-mail da UFRJ sobre dois intercâmbios: um para a Itália, com cursos de verão, e outro para participar de uma pesquisa em universidades da República Tcheca. Me inscrevi, fui pré-selecionado, fiz as provas de proficiência em inglês (já que, embora os países tenham línguas diferentes, ambos os programas são em inglês).

Então, em uma terça-feira, recebi a notícia de que fui selecionado para uma bolsa de 70% na Itália, na CUOA Business School, para o curso de Estratégia de Negócio e Marketing. Eu já estava imensamente feliz — criei o site, fiz a vaquinha, gravei vídeo, organizei tudo. Mas na segunda-feira seguinte, quando ia postar o vídeo, abri o e-mail e descobri que também fui selecionado para um dos laboratórios da Technical University of Liberec, na República Tcheca.

Eu só sabia agradecer a Deus e rir: nunca havia sido selecionado para nenhum intercâmbio e, dessa vez, passei em dois seguidos.

Vista da CUOA Business School na Itália
CUOA Business School, na Itália, onde estudarei estratégia e marketing.

Em Liberec, participarei da pesquisa “Create a User Touchscreen Interface for a Prototype Device”, trabalhando com interfaces touchscreen, usabilidade e automação por dois meses — de 14 de abril a 6 de junho. A princípio, estou verificando a possibilidade de estender o período por mais um mês, pois depois, no dia 6 de julho, começo as aulas na CUOA, onde estudarei Business Strategy and Marketing Management, aprendendo com professores e profissionais europeus e visitando empresas, centros tecnológicos e até organizações internacionais como a ONU.

Esse intercâmbio, mais do que um sonho pessoal, é um investimento em tudo aquilo pelo que meus pais batalharam: dar um futuro melhor para mim e para o meu irmão. Participar dele é olhar para trás e perceber que todo esforço valeu a pena — não só o intercâmbio, mas toda a trajetória no INMETRO e na própria faculdade.

Quero voltar trazendo não só um certificado internacional, mas uma bagagem de experiências, contatos, ideias e boas práticas que possam gerar novas oportunidades aqui. O #SamucaSemFronteiras é sobre mostrar que as fronteiras podem ser atravessadas quando educação, fé e redes de apoio caminham juntas.

Como você pode me ajudar

Seu apoio faz essa história atravessar fronteiras

Apesar da bolsa de 70%, ainda preciso arcar com os outros 30% e com as taxas da Universidade de Liberec. São 7 mensalidades de R$ 1.717,00 referentes aos 30% restantes, que precisam ser pagas antes da viagem para a Itália. Também há duas mensalidades da universidade da República Tcheca, totalizando 1.400 euros (aprox. R$ 8.890) — uma em novembro de 2025 e outra em fevereiro de 2026 — além de passagem, moradia, transporte e alimentação. Tudo está detalhado na página principal, onde você pode encontrar também os comprovantes, contratos e documentos.

Se essa história tocou seu coração, saiba que existem várias maneiras de caminhar comigo. Cada gesto — financeiro, profissional ou até apenas compartilhando a página — faz muita diferença. Estou aberto a trabalhar por cada centavo que você tiver a oferecer: fazer um site, ajudar em tarefas como lavar o carro, limpar quintal, o que for necessário. Que Deus lhe pague e retorne em dobro. Vocês estarão nas minhas orações, mesmo que eu não saiba seus nomes.

Você pode também:

  • Contribuir pela vaquinha online, com o valor que fizer sentido para você;
  • Participar da rifa solidária, ajudando e ainda concorrendo a prêmios;
  • Enviar um PIX, se preferir algo direto e rápido;
  • Compartilhar o projeto com amigos, familiares ou empresas que incentivem educação;
  • Indicar oportunidades de trabalho ou projetos em tecnologia, pesquisa ou finanças.

E, se no momento você não puder contribuir financeiramente, fique em paz: só de chegar até aqui, ler minha história e torcer por mim, você já faz parte do #SamucaSemFronteiras. Compartilhar esse link também ajuda — e muito.